Sunday, March 21, 2010

Clube de Cultura 60 anos



Clube de Cultura, 60
http://www.asa.org.br/frameboletim.htm

O Clube de Cultura foi fundado em 30 de maio de 1950, a fim de criar um espaço para atividades artístico-culturais que não encontravam acolhida nos lugares já consagrados da cidade de Porto Alegre. A iniciativa foi de catorze ativistas político-culturais, judeus não sionistas.

Alugaram uma casa na Rua Ramiro Barcelos, onde o Clube formou um coral e realizou diversas palestras e atividades. Decidiram comprar o terreno e construir uma nova sede com salas para diversos usos, além de um auditório. Vendo que não seria fácil pagar o terreno e os custos das obras, tiveram a idéia de fazer um condomínio, e parte da construção abrigaria a sede do Clube de Cultura. Assim, a atual sede foi inaugurada em 1958.
Realizaram palestras e exposições no Clube, nos anos 1950, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Aparício Torelli (Barão de Iatararé), Carlos Scliar, Danúbio Gonçalves e Vasco Prado, por exemplo. Grupos de outros países, como Argentina e Uruguai , bem como de São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro, realizaram no novo auditório apresentações, em ídish, de cunho popular.

Após inaugurada, a sede foi palco de inúmeras atividades. O Clube comemorou seu aniversário em 1961 com Elis Regina. O CPC apresentou o Auto dos 99%, texto que embalava as discussões sobre a reforma do ensino.

P.F. Gastal deu força ao Clube de Cinema na sede do Clube de Cultura junto a um dos fundadores. Jacob Koutzii, imigrante da Bessarábia e autodidata, foi pioneiro na crítica cinematográfica assinando suas criticas sob o pseudônimo de Plínio Moraes.
O coral próprio, regido primeiro por Esther Scliar e depois por Helena Wainberg, ensaiava músicas eruditas, populares e em ídish, entre estas o Hino dos Partisans, cantado no ato comemorativo do Levante do Gueto de Varsóvia. Neste, sobretudo, lembravam a resistência e luta contra qualquer discriminação e opressão; celebravam a autodeterminação.

Em 1962, o Clube abriu suas portas a todos os cidadãos. Formado novo grupo de teatro próprio, encenaram A prostituta respeitosa, de Sartre. Nos embalos do novo ritmo brasileiro, organizou o espetáculo Bossa 64.

Com o advento do golpe militar, o quadro social, marcado por um corte de esquerda, entra em pânico. O Clube se manteve na ativa por coragem de quatro dos antigos diretores: Hans Baumann, Henrique Scliar, André Paulo Franck e Salomão Schwartz.

O símbolo da resistência era erguido mais uma vez, denunciando o regime de exceção. A comemoração do Levante do Gueto de Varsóvia em 1964 deveria contar com a participação do então deputado federal Leonel Brizola. Da organização deste ato é lavrada a última ata no livro original de atas da Diretoria. Vastamente adulterado, foi reescrito em um “novo livro de atas da Diretoria”, a fim de não deixar “rabo preso” para a repressão.
Apesar de todas as adversidades oriundas da repressão, a vida do Clube se manteve intensa. Especial destaque para a montagem teatral dos “redescobertos” textos de Qorpo Santo. O Grupo de Teatro do Clube de Cultura recebeu prêmios por essa montagem e consagrou Qorpo Santo como um expoente da literatura brasileira.

Nos anos 60 ainda funcionou a Frente Gaúcha de Música Popular, formada por jovens que buscavam romper com as cadeias da indústria cultural alienante. Nos anos 70, Gerbase e Furtado organizaram oficinas de cinema quando ainda jovens faziam cinema por “diversão”
Nos anos 80, a Coompor badalou o Bonfim com o projeto Coompor canta Lupi. Caio Fernando Abreu e Luciano Albarse montavam os textos de nosso maldito favorito no auditório Henrique Scliar. Este, homenageado em vida com seu nome no auditório que ajudou a construir.
O tio Henrique, como era conhecido, e muito citado nas crônicas de Moacyr Scliar, mesmo não sendo conhecido pelas novas gerações, é exemplo de que a luta por um mundo novo, justo e igualitário não se faz apenas de derrotas. O Clube mantém suas atividades mesmo sendo uma sombra do que foi no passado, mas nesses 60 anos a coisa vai mudar! O azul vai vencer o cinza que cobriu o nosso céu!

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