Thursday, October 06, 2011

Clube de Cultura é tombado como patrimonio de Porto Alegre

Clube de Cultura, o mais novo tombamento


Depois de um longo tempo de análise, o Clube de Cultura, desde a semana passada, é, por tombamento municipal, patrimônio cultural de Porto Alegre. Foi fundado em 31 de maio de 1950, “por um grupo de judeus porto-alegrenses de orientação laico-progressista e filiação política de esquerda”, como consta do processo que encaminhou o seu reconhecimento como patrimônio histórico. O coordenador da Memória Cultural, da Secretaria Municipal de Cultura, Luiz Antônio Custódio, afirma que os tombamentos se justificam pelos valores históricos, culturais, etnográficos ou arquitetônicos dos bens. O do Clube de Cultura deveu-se ao seu valor histórico. “Ali nasceu, por exemplo, o Clube de Cinema Humberto Mauro, que deu origem à Casa de Cinema e ao Polo de Cinema do Rio Grande do Sul”, lembra Custódio.

O coordenador da Memória Cultural frisa que a importância do Clube de Cultura não está no seu prédio, mas na sua ideia. “O mesmo aconteceu no tombamento do Teatro de Arena”. O mais novo patrimônio histórico de Porto Alegre teve um grande impacto sobre a cultura gaúcha, devido “à sua atividade e às ideias que circularam e ainda circulam por ali”, diz Custódio.

Do Clube participavam também, como sócios, importantes nomes da cultura gaúcha, que não eram de origem judaica, como o médico Rubem Maciel, o artista plástico Vasco Prado e o poeta e historiador Guilhermino César. A entidade contou com apoiou também, ao longo de sua história, de intelectuais como Graciliano Ramos, Jorge Amado, Henrique Scliar, Aparício Torelli (Barão de Itararé), Carlos Scliar, Vinícius de Morais, Elis Regina, Danúbio Gonçalves, Moacir Scliar e Caio Fernando Abreu. O documento que instruiu o tombamento do Clube informa que a história da entidade se divide em quatro etapas, marcadas “por fatores históricos externos”. A primeira, de 1950 a 1957, quando foi inaugurada a sede, se caracteriza pelo posicionamento do Clube “como espaço de práticas sociais e culturais”. A segunda etapa, de 1957 a 1964, consolidou o local como “centro cultural de relevância nacional”, havendo uma abertura para todos os indivíduos e segmentos da sociedade. A etapa seguinte coincide com o período da ditadura (1964-1985) e é denominada de “período de sobrevivência”, já que a instituição era vista pelos militares como de esquerda. Os sócios se afastaram e o Clube enfrentou problemas econômicos. Neste período, “passaram a frequentar o lugar cidadãos de diversas origens étnicas e filiações políticas que compartilhavam com os fundadores os mesmos princípios e que tacitamente se opunham à Ditadura”.

A última fase começa em 1985, com a redemocratização do país. Uma época em que o “Clube não é mais um reduto dos judeus progressistas, porém mantém a mesma linha de atuação traçada por seus idealizadores e continua sua sobrevivência, não contra a repressão política e sim contra uma ameaça maior: a banalização da cultura e as formas de socialização atuais caracterizadas pela falta de compromisso do indivíduo com a sociedade e com a construção de um mundo mais digno e justo”.

Nubia Silveira (texto) e Flavia Boni Licht (consultora)

http://portoimagem.wordpress.com/2011/07/31/patrimonio-historico-restaurar-custa-tres-vezes-mais-do-que-conservar/

Monday, September 19, 2011

Ciclo de Palestras: A CRISE DO NEOLIBERALISMO E A INTERVENÇÃO NO ORIENTE MÉDIO E ÁFRICA DO NORTE



26-09-2011 2ª. Feira
INTERVENÇÃO HUMANITÁRIA NA LÍBIA: PETRÓLEO, ÁGUA E OURO
Luis Dario T. Ribeiro
Prof. História UFRGS

28-09-2011 4ª. Feira
REVOLTA ÁRABE: IMPLICAÇÕES ESTRATÉGICAS
Paulo F. Visentini
Prof. Relações Internacionais UFRGS

29-09-2011 5ª. Feira
A GEOPOLÍTICA DO PETRÓLEO E AS REVOLUÇÕES ÁRABES
Lucas Kerr Oliveira
Prof. Relações Internacionais Uniritter e ESPM

3-10-2011 2ª. Feira
A PRIMAVERA NO EGITO
José Miguel Martins
Prof. Relações Internacionais UFRGS
Fernanda Lopes Silva
Graduanda de Relações Internacionais

5-10-2011 4ª. Feira
OS CONFLITOS NO YEMEN
Ana Lucia Pereira
Profª Relações Internacionais ESPM

6-10-2011 5ª. Feira
REVOLUÇÕES ÁRABES E CONSEQÜÊNCIAS PARA OS PAÍSES AFRICANOS
Igor Castellano da Silva
Doutorando em Estratégias Internacionais

Sunday, September 19, 2010

Depoimento de Moacyr Scliar sobre o Clube de Cultura

O Clube de Cultura foi um marco importante na história da comunidade judaica de Porto Alegre, e na própria história da cidade e do Estado. Era uma entidade "progressista", quer dizer, seus membros eram simpatizantes do Partido Comunista, gente que via na arte e na cultura fatores de transformação social. Daí porque o Clube tinha um amplo programa de atividades: palestras, apresentações teatrais, exposições... No meu caso, a ligação tinha um componente afetivo muito forte: durante anos a figura chave no Clube foi meu tio, Henrique Scliar, pai do pintor Carlos Scliar e do fotógrafo Salomão Scliar. Tio Henrique era um homem de extraordinária cultura e dedicação: quando da construção do Clube muitas vezes ele trabalhou lado a lado com os operários. O fim do sonho comunista foi um golpe para a instituição. Mas o sonho que ela representava permanece vivo.

Ao centro Henrique Scliar,

a direita Aparicio Torelly (o humorista Barão de Itararé)

(195?)





Sunday, March 21, 2010

Clube de Cultura 60 anos



Clube de Cultura, 60
http://www.asa.org.br/frameboletim.htm

O Clube de Cultura foi fundado em 30 de maio de 1950, a fim de criar um espaço para atividades artístico-culturais que não encontravam acolhida nos lugares já consagrados da cidade de Porto Alegre. A iniciativa foi de catorze ativistas político-culturais, judeus não sionistas.

Alugaram uma casa na Rua Ramiro Barcelos, onde o Clube formou um coral e realizou diversas palestras e atividades. Decidiram comprar o terreno e construir uma nova sede com salas para diversos usos, além de um auditório. Vendo que não seria fácil pagar o terreno e os custos das obras, tiveram a idéia de fazer um condomínio, e parte da construção abrigaria a sede do Clube de Cultura. Assim, a atual sede foi inaugurada em 1958.
Realizaram palestras e exposições no Clube, nos anos 1950, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Aparício Torelli (Barão de Iatararé), Carlos Scliar, Danúbio Gonçalves e Vasco Prado, por exemplo. Grupos de outros países, como Argentina e Uruguai , bem como de São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro, realizaram no novo auditório apresentações, em ídish, de cunho popular.

Após inaugurada, a sede foi palco de inúmeras atividades. O Clube comemorou seu aniversário em 1961 com Elis Regina. O CPC apresentou o Auto dos 99%, texto que embalava as discussões sobre a reforma do ensino.

P.F. Gastal deu força ao Clube de Cinema na sede do Clube de Cultura junto a um dos fundadores. Jacob Koutzii, imigrante da Bessarábia e autodidata, foi pioneiro na crítica cinematográfica assinando suas criticas sob o pseudônimo de Plínio Moraes.
O coral próprio, regido primeiro por Esther Scliar e depois por Helena Wainberg, ensaiava músicas eruditas, populares e em ídish, entre estas o Hino dos Partisans, cantado no ato comemorativo do Levante do Gueto de Varsóvia. Neste, sobretudo, lembravam a resistência e luta contra qualquer discriminação e opressão; celebravam a autodeterminação.

Em 1962, o Clube abriu suas portas a todos os cidadãos. Formado novo grupo de teatro próprio, encenaram A prostituta respeitosa, de Sartre. Nos embalos do novo ritmo brasileiro, organizou o espetáculo Bossa 64.

Com o advento do golpe militar, o quadro social, marcado por um corte de esquerda, entra em pânico. O Clube se manteve na ativa por coragem de quatro dos antigos diretores: Hans Baumann, Henrique Scliar, André Paulo Franck e Salomão Schwartz.

O símbolo da resistência era erguido mais uma vez, denunciando o regime de exceção. A comemoração do Levante do Gueto de Varsóvia em 1964 deveria contar com a participação do então deputado federal Leonel Brizola. Da organização deste ato é lavrada a última ata no livro original de atas da Diretoria. Vastamente adulterado, foi reescrito em um “novo livro de atas da Diretoria”, a fim de não deixar “rabo preso” para a repressão.
Apesar de todas as adversidades oriundas da repressão, a vida do Clube se manteve intensa. Especial destaque para a montagem teatral dos “redescobertos” textos de Qorpo Santo. O Grupo de Teatro do Clube de Cultura recebeu prêmios por essa montagem e consagrou Qorpo Santo como um expoente da literatura brasileira.

Nos anos 60 ainda funcionou a Frente Gaúcha de Música Popular, formada por jovens que buscavam romper com as cadeias da indústria cultural alienante. Nos anos 70, Gerbase e Furtado organizaram oficinas de cinema quando ainda jovens faziam cinema por “diversão”
Nos anos 80, a Coompor badalou o Bonfim com o projeto Coompor canta Lupi. Caio Fernando Abreu e Luciano Albarse montavam os textos de nosso maldito favorito no auditório Henrique Scliar. Este, homenageado em vida com seu nome no auditório que ajudou a construir.
O tio Henrique, como era conhecido, e muito citado nas crônicas de Moacyr Scliar, mesmo não sendo conhecido pelas novas gerações, é exemplo de que a luta por um mundo novo, justo e igualitário não se faz apenas de derrotas. O Clube mantém suas atividades mesmo sendo uma sombra do que foi no passado, mas nesses 60 anos a coisa vai mudar! O azul vai vencer o cinza que cobriu o nosso céu!

Wednesday, December 16, 2009

Sarau-festa “Quando a primeira estrela aparecer no céu” antecede as comemorações dos 60 anos de história do Clube de Cultura de Porto Alegre

O evento ocorre nesta sexta-feira (18/12), às 19h e contará com sarau Especial Ferreira Gullar, leitura dramática de textos de Bertold Brecht e show com clássicos do samba das décadas de 60 e 70

Na tradição judaica, a passagem do dia para a noite é marcada por “Quando a primeira estrela aparecer no céu”. Esse evento natural dá nome ao início das atividades comemorativas dos 60 anos do Clube de Cultura de Porto Alegre, com o sarau-festa. O evento acontece nesta sexta-feira, 18 de dezembro, às 19h, no Clube de Cultura de Porto Alegre, localizado na Rua Ramiro Barcelos, 1853 e lembrará um pouco desta história.

Entre as atrações, Lorenzo e Rodolfo Ribas apresentam o sarau Especial Ferreira Gullar, com poemas musicados e performance, seguido do Sarau Aberto. O grupo Levanta-Favela realiza a encenação “Árvore em fogo”, com colagem de textos de Bertold Brecht e o grupo musical Violeiro Só e os Mal-Acompanhados toca clássicos do samba das décadas de 60 e 70. Após, as atividades seguem com Jam Session reunindo músicos convidados e artistas que comparecerem ao local. Os ingressos podem ser adquiridos ao valor de R$ 2,00, mas portando um instrumento musical fica isento.

Fundado em 30 de maio de 1950 por um grupo de judeus progressistas, o local tornou-se logo uma das principais referências da cidade, e mais tarde tornou-se bastião da resistência artística contra ditadura, contando com a colaboração de diversos artistas e intelectuais. A lista é enorme: Graciliano Ramos, Jorge Amado, Barão de Iatararé, Vinícius de Moraes, Elis Regina, Carlos Scliar, Danúbio Gonçalves, Vasco Prado, P.F. Gastal, Jacob Koutzi, Carlos Gerbase, Furtado, Caio Fernando Abreu, Luciano Albarse, Henrique Scliar e Moacyr Scliar, entre muito outros.

As programações comemorativas seguem até 30 de maio de 2010, quando será realizada festa de aniversário do clube.

SERVIÇO:

Sarau-festa “Quando a primeira estrela aparecer no céu”
Quando: sexta-feira, 18 de dezembro, às 19 horas
Local: Clube de Cultura de Porto Alegre (Rua Ramiro Barcelos, 1853)
Ingresso: R$5,00 (portando um instrumento musical isenta o ingresso)
Atrações:
Especial Ferreira Gullar: Lorenzo e Rodolfo Ribas apresentam poemas musicados de Ferreira Gullar, seguido de Sarau Aberto com convidados.
“Árvore em fogo”: Cambada Levanta-Favela apresenta trechos da obra de Bertold Brech
Show de samba das décadas de 60 e 70: com grupo musical Violeiro Só e os Mal-Acompanhados